junho 02, 2009

Quem acaba sendo quem?

Chamem-lhes Terceiro Mundo. Pois vamos ver quem é o Terceiro Mundo, então... Nós, sociedades tecnológicas e industrializadas quase sobredesenvolvidas; ou eles, sociedades geopolitacamente não-alinhadas e subdesenvolvidas. Verdade é que aquilo que somos é fruto da conjugação do nosso espírito com o nosso corpo. Mas somos mais por aquilo que somos espiritualmente ou fisicamente? É evitável eu dar a minha opinião, porque quem me conhece (por pouco que seja) sabe qual é a resposta, e é nessa minha resposta que vou basear a minha crítica/opinião.
Nós temos um rápido e facilitado a acesso a qualquer meio que necessitemos; é por isso que somos mais interessados? De facto não é. O que acontece nas nossas sociedades é que desvalorizamos aquilo com que poderiamos aprender realmente alguma coisa de útil, alguma coisa que nos faria de facto espiritualmente desenvolvidos. Nós frequentamos o ensino obrigatório e eu pergunto porque razão existe à minha volta tantos adolescentes como eu que não se interessam pela escola, que não valorizam aquilo que têm por direito? Talvez seja isso, um direito adquirido pelo qual não lutámos e, por isso, não valorizamos. Talvez seja isso, um direito adquirido não-se-sabe-como e não-se-sabe-por-quem, mas que é nosso e, sendo nosso, não nos é retirado: então porque me hei-de esforçar para fazer uma coisa que posso levar uma vida a concluir?
Como é o acesso deles aos meios que necessitam? Em cima falava de meios tecnológicos, informação; aqui falo em alimento, em cuidados médicos, em higiene (reforço esta ideia: NECESSIDADES. Quais são as nossas necessidades comparadas com as necessidades deles? Quais podem ser, realmente, chamadas necessidades?). Não possuem direitos, dir-me-ia muita gente, e eu refutaria: o que são os Direitos do Homem? Não somos todos Homens, todos criados por Deus à sua semelhança? "Liberté, egalité, fraternité"! Eles quase não sabem o que é uma escola... Mas serão menos interessados que nós? Não; controversiamente, são eles quem mais se interessam por instrução, porque acreditam num amanhã novo, num amanhã melhor, num amanhã que lhes trará dignidade e uma vida de igualdade. O que temos nós para acreditar? Vazio, vazio, vazio... Dignidade? Quase a renunciamos! Igualdade? Queremos sempre ser superiores aos outros! Fraternidade? Atropela para vencer! Liberdade? Somos seres rotineiros! Não nos satisfazemos com pouco, queremos mais e ir mais alto subir subir subir subir subir. Eles pedem pouco, e nem o mínimo conseguem alcançar. Não têm por onde cair, porque também não têm nada com que subir... Nós, que tudo temos, cada vez que caímos nos aleijamos mais. E não nos servem os erros dos outros; enquanto cá estamos temos que ver e experimentar aquilo que outrora outros erraram, e, então, erramos também. Mas somos nós, somos nós os povos civilizados, os povos sobredesenvolvidos.
Crescemos tanto naquilo que não interessa, e somos cada vez mais pequenos em coisas que realmente poderiam fazer de nós grandes.

2 comentários:

AnaLuísa disse...

grande, grande capacidade de argumentação a tua :o

adorei o texto e concordo contigo. parabéns (: *

aléqse disse...

Pode ser que esse ego e essa confiança exceessiva na tua superiodirade descam um pouco.

Ja v que tiraste o texto antes de eu comentar.