Quando, umas semanas depois do início da época de exames, um exame te corre bem. Quando, umas semanas depois do início da época de exames, pensas que não há-de ser para recurso. Uma boa sensação, mas infeliz.
janeiro 15, 2013
setembro 02, 2012
setembro 01, 2012
agosto 27, 2012
agosto 04, 2012
julho 09, 2012
julho 01, 2012
junho 26, 2012
maio 16, 2012
Podia contar uma história com tanto de alheia como de própria, simultaneidade despropositada embora inevitável, mas a tanto me dar com o fim de pouco ter dado, ser esse o caminho, o caminho de nada... Em acabando, sem ter então começado, sentir no coração menos do que se sente quando nem nisso se pensa, desabotoa a camisa e lança-se à cama que nunca sai do mesmo sítio. Uma fatalidade, pode-se pensar: vai para onde quer ir, acaba onde quer acabar, se a cama é inerte nela se tenta homogeneizar com esse próprio fim, mas tendo de tentativa muito, tem de concretização pouco. Deixa sobre ela todo o seu corpo e mais ainda, embora de pouca teima que essa cama é a mais na teimosia. É hora de ir embora, é hora de deixar ficar o que não pode levar, mas dela não sai, e em saindo, lá continua. Há dessas coisas engraçadas, sermos contrariados pela nossa própria vontade.
maio 15, 2012
maio 07, 2012
maio 04, 2012
abril 29, 2012
Não, não é cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como... Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como... Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!..
Confesso: é cansaço!..
Álvaro de Campos
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto alguém. Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada - Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...
Álvaro Campos
abril 21, 2012
As coisas não mudam. Desiste de esperar algo, qualquer coisa que seja, de diferente. Não tem esperança. Com parte dessa esperança morreu, também, uma grande parte do que era seu, seu de si, de ser. Tudo continua a ter o mesmo impacto, mas esse impacto desvanece, caindo no poço da ignorância. Que somos mais felizes enquanto ignorantes, assim se diz, mas o objectivo não é ser feliz.
abril 20, 2012
(...) façamo-la, dentro dessa ficção inevitável, o mais natural possível, para que seja por isso mesmo, o mais justa possível. Qual é a ficção mais natural? Nenhuma é natural em si, porque é ficção; a mais natural, neste nosso caso, será aquela que pareça mais natural, ou que se sinta como mais natural. Qual é a que parece mais natural, ou que sintamos mais natural? É aquela a que estamos habituados. (Você compreende: o que é natural é o que é do instinto; e o que, não sendo instinto, se parece em tudo com o instinto, é o hábito. (...)
(...) As dificuldades eram estas: não é natural trabalhar por qualquer coisa, seja o que for, sem uma compensação natural, isto é, egoísta: e não é natural dar o nosso esforço a qualquer fim sem ter a compensação de saber que esse fim se atinge. (...)
O Banqueiro Anarquista
abril 18, 2012
abril 16, 2012
Todas as circunstâncias, em cada momento bom há uma razão para chorar, não sendo apenas de alegria. Quando precisas pensar e não pensas mas por um infortúnio cognitivo dás por ti num chuveiro a julgar sabiamente a tua vida, e só essa, tomas boas decisões. Mas as circunstâncias em que as tomas, essas faladas inicialmente, são como elas próprias, de forma substancial. Acho engraçada a forma como tudo e mais que isso tem sentidos vários, tanto mais a forma como tudo é menos do que se espera. Concluis que passada a barreira da mente sobre as emoções, precisas submeter a mente à mente, sim, a ela própria.
abril 04, 2012
É isso, talvez a dor física atenue a dor sem lugar, pelo menos sabe bem quando mais nada pode acontecer. Quando acorda, desvia a sua atenção para uma única parte do seu corpo e acaba a perguntar porquê e para quê. Fez sentido quando aconteceu, que sentido depois. Acorda cheia de apatia, tanta quanto a com que adormece, pouco muda, vendo em pouco, nada. É uma forma de desistir de lutar contra o que quer que seja que mais forte é, não podendo de uma forma, outras se tentam.
abril 03, 2012
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